quarta-feira, 10 de novembro de 2010




Se contra mim mesmo a ti me encareço.
Como podes dizer que não te esmero?
Não penso em ti quando de mim me esqueço,
E em teu tirano amor não me encarcero?
De amigo aquele que te odeia chamo?
Trato com afago aquele que tu bem não vês?
E inda: Se me és má não me proclamo
Em dor e não desdenho o meu prazer?
Que valor posso achar em minha estima?
Que me leve a zombar do teu serviço?
Se a teu defeito o meu melhor se inclina
E escravo sou de teus olhos, teu viço?
Odeia, amor, que assim o que és me aclara;
Sou cego e aos que te vêem te declaras.


William Shakespeare

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